Paranavaí

Medo do coronavírus está provocando aglomeração desnecessária e perigosa

O ambulatório exclusivo para atendimento de pacientes suspeito de Covid na Santa Casa vinha realizando uma média de 4 a 5 consultas por dia

O aumento nos casos de Covid em Paranavaí está provocando aglomerações em unidades de atendimento aos pacientes da pandemia. Estas aglomerações são perigosas e, na maioria das vezes, desnecessárias. São ambientes com alta carga viral e a possibilidade de uma pessoa chegar a uma unidade dessas sem a Covid e levar o vírus para casa é grande.

O alerta é da secretária municipal de Saúde, Andréia Vilar, e da infectologista Gislaine Erédia Araújo, médica responsável pela Ala Covid da Santa Casa de Paranavaí. Elas pedem que a pessoa só procure uma unidade de atendimento exclusivo ao Covid “se tiver os sintomas clássicos gripais”, conforme a secretária. A médica aponta como sintomas para procurar o atendimento a febre alta, falta de ar e aumento da frequência cardíaca (cansaço).

O ambulatório exclusivo para atendimento de pacientes suspeito de Covid na Santa Casa, que dá atendimento particular e de convênios, vinha realizando uma média de 4 a 5 consultas por dia. Nos últimos dez dias, a média passou para 30 consultas diárias. “Aumentou cinco vezes mais o número de consultas e em muitas delas os pacientes não tinham os sintomas que justificassem ele correr o risco de procurar atendimento numa unidade em que poderia se contaminar”, diz Gislaine Erédia.

A infectologista afirma que a maioria das pessoas continua se infectando dentro de casa. É uma pessoa que se descuida, viaja ou vai a uma festa e a família inteira acaba positivando. “Temos um caso de nove pessoas de uma mesma família que deram positivo”, revela ela. “As pessoas não usam máscara dentro de casa, acham que não correm risco. Fazem os churrasquinhos como se a doença tivesse ido embora Não é assim”, reforça a médica.

Erédia insiste que as melhores maneiras de evitar a contaminação é o uso de máscaras, a higiene das mãos lavando com água e sabão ou usando o álcool gel 70º e o distanciamento social.

POSITIVIDADE ALTA – A secretária Andréia Vila confirma que há “uma busca muito grande” por consultas na UBS Central, que atende exclusivamente pacientes suspeitos de Covid, que funciona das 7 às 19 horas. Quando a unidade está fechada, os pacientes se dirigem a UPA, que tem área reservada para pacientes suspeitos.

Ela cona que, até esta disparada de casos, nos dias de maiores movimentos a média de atendimento girava entre 25 e 30 consultas das 7 às 19 horas. E em situação normal a média era de 20 atendimentos. “Agora a média é de 90 a 130 pacientes por dia na Unidade da Covid”, diz ela. “A procura está muito alta, a positividade dos pacientes também. Entre sábado e domingo foram positivados 65 pacientes. A procura está muito alta, o número de ativo de vírus muito grande também. Isto é muito preocupante”, complementa.

Diante deste quadro, Vilar pede que “as pessoas tenham consciência, que não procurem a UBS exclusiva de Covid, se realmente não tiver sintomas, só

porque ela conversou com o vizinho que era positivo, porque o parente dela que ela viu de longe é positivo também. Não procure a UBS se não for realmente necessário, se não tiver os sintomas clássicos gripais”.

Isto porque, explica a secretária, a pessoa “estará indo para uma unidade, onde tem uma carga viral muito alta e a possibilidade de chegar sem Covid e levar a Covid para casa é muito grande”.

A Secretária apela para que a população continue seguindo as orientações das autoridades sanitárias e que “os cuidados não sejam menosprezados, porque agora, como estamos com o vírus muito ativo no município, a possibilidade de infectar outras pessoas é muito grande. E também deve ser considerado que, apesar de já ter sido habilitados mais 10 leitos, a capacidade da Santa Casa hoje já é pequena”.

Para se ter uma ideia da situação, a média de pacientes de Paranavaí internado na Santa Casa estava entre um e dois pacientes por semana, segundo Andréa Vilar. “Só hoje (segunda-feira) estamos com sete pacientes internados. Então, o que a gente pede é a consciência, a mobilização da população novamente e que todos tenham consciência de que amanhã ou depois pode ser um de nós que estejamos precisando de um leito de hospital”, arremata ela.

Colaboração Jorge Roberto

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