Paranavaí
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Vários fatores provocaram a alta de preços dos produtos de origem rural 

"Ninguém é obrigado a produzir com prejuízo e que produtor não é o vilão de mercado"

A sazonalidade da atividade, a redução de ganhos em alguns setores da agropecuária que desestimulou a produção e fez faltar produto no mercado, a desvalorização do real que estimulou as exportações e encareceu os insumos importados de produção e o aumento de consumo interno embalado pela ajuda emergencial às famílias de baixas renda são alguns dos fatores que provocaram a alta de preços de alguns produtos nas gôndolas dos supermercados e que tem provocado polêmicas.

Esta é a opinião do presidente do Sindicato Rural de Paranavaí e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Ivo Pierin Júnior, que acredita que alguns produtos devem diminuir de preços em um espaço menor de tempo e outros demorarão um pouco mais. “É um conjunto de fatores que promoveu esta alta em alguns itens da cesta básica. Havia alguns produtos que estavam com os preços defasados. É a lei de mercado, não é culpa do produtor”, diz ele.

Pierin disse que alguns produtos tiveram seus preços defasados e houve uma redução da produção. “Ninguém é obrigado a produzir com prejuízo. Quando uma atividade não dá lucro, o produtor pára de produzir e, em algum momento, o produto começa a faltar no mercado e aí os preços sobem. É a lei de mercado, que estimula a produção, aumenta e distribui a riqueza”, explica ele.

Cita como exemplo a bovinocultura de corte. “O Brasil ainda tem um grande rebanho confinado. Mas já se confinou mais. A diminuição do gado tratado no cocho diminuiu porque aumentaram os custos de produção e o preço da carne não subia. O resultado é que, embora a pecuária agregou outras tecnologias que permitem levar o boi mais cedo para o abate, passou a produzir menos e o resultado apareceu agora. Com os novos valores, a pecuária voltou a ser um bom negócio. Só que a reposição do rebanho demora de um a dois anos – tempo que vai demorar para o preço normalizar”.

O líder ruralista confirma que os insumos importados tiveram seus preços majorados por conta da desvalorização do real frente ao dólar. “Isto aumenta os custos de produção e se reflete nas prateleiras dos supermercados”.

A alta dos produtos acontece também porque a mesma desvalorização estimulou as exportações, pois os produtos brasileiros ficaram com os preços competitivos no mercado internacional. Se o mercado interno não quer pagar determinado valor, o produtor tem esta oportunidade”.

AUXÍLIO EMERGENCIAL – Na avaliação de Pierin também aqueceu o mercado a ajuda emergencial que o Governo Federal pagou os beneficiários do Bolsa Família e trabalhadores informais, por conta da pandemia do novo coronavírus, a Covid-19. Lembra que em cada parcela paga foram injetados na

economia algo em torno de R$ 50 bilhões. “Boa parte deste recurso foi direcionado para o consumo, aumentando a demanda e pressionando os preços”, comenta.

Ele descarta a possibilidade de o governo fazer estoque regulador, comprando o excedente para enxugar o mercado, evitar queda de preços e vendendo quando houver falta para evitar oscilações robustas de preços, que ora sacrifica o produtor e em outro momento o consumidor. “O governo gere mal os estoques, às vezes até perde o que comprou. E causa prejuízo à sociedade, porque quem mantém o governo é a sociedade”, dispara.

A alternativa é que os estoques sejam mantidos pelos próprios produtores, com uma linha de crédito com taxas de juros diferenciadas. “Esta linha de crédito seria para financiar a estocagem. Aí o próprio setor regularia o estoque”.

Atualmente, para evitar os baixos preços dos produtos agrícolas o governo vem estimulando a exportação. “Hoje em quase todas as embaixadas brasileiras têm um adido comercial agrícola, que está ofertando os nossos produtos”, sublinha Pierin.

Sobre a iniciativa do Governo que zerou a sobretaxa de importação do arroz, que subiu mais de 60% nas últimas semanas para o consumidor, o líder ruralista diz ser contra a intervenção “porque prejudica o produtor”, mas entende o procedimento como forma de “proteger o consumidor”. Nesta linha de raciocínio, avalia como positiva a ação do governo, pois teve o cuidado de limitar a norma a 400 mil toneladas. “Sempre que houver necessidade deste tipo de intervenção deve haver limites de volumes e valor, como foi feito agora”, avalia.

O vice-presidente da FAEP reforça que as altas de preços “faz parte do mercado” e que a culpa não é do produtor. “A agricultura é assim, tem a sazonalidade de produtos. Estamos atravessando um período de seca que, por exemplo, diminui as pastagens e encarece o leite. Em São Paulo, os pomares de laranja, que é uma cultura permanente, estão sofrendo e perdendo frutos. Quando a chuva vier e a produção se normalizar, o mercado também se assenta. Estamos no período de entressafra do leite de outros produtos”, diz ele.

“É injusto tratar o produtor rural como o vilão do momento. O que estamos atravessando é um período em que uma combinação de fatores elevou os preços de alguns produtos da cesta básica de forma rápida e significativa. Mas não tem ninguém se aproveitando da situação, escondendo produto ou fazendo manobras espúrias para ter vantagem às custas da sociedade. O que está ocorrendo pode até ser incômodo para a sociedade, mas é a lei do mercado. Quando há excesso de produto, os preços caem e o incômodo fica para o produtor. É assim que funciona a lei de mercado”, arrematou Ivo Pierin Júnior.

Colaboração Jorge Roberto

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