Paranavaí

Número de mortes na ala Covid da Santa Casa cresceu 400% este ano

Média saltou de 2,5 mortes por semana em 2020 para 10,7

Levantamento realizado pelo departamento de Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ) da Santa Casa de Paranavaí mostra que o número de mortes na Ala Covid do hospital cresceu 400% este ano em relação a 2020. O estudo refere-se ao período entre 6 de abril do ano passado e dia 7 de junho deste ano.

A pesquisa aponta que o setor de vítimas do coronavírus registrou nos 8 meses e 24 dias, ou 264 dias do ano passado, 92 mortes. Já este ano, até o dia 7 deste mês (157 dias), foram 236 mortes. Ainda que se desconsidere que o período de 2020 representa 65% mais dias que o período levantado este ano, a variação no número de mortes já seria grande, ou seja, 153%. Mesmo com menos dias, 2021 já registrou, até o último dia 7, 657 internações, contra 470 verificados em 2020.

Uma variação de 41% mesmo sendo num período menor. No total, juntando os dois períodos, já foram internados na Ala Covid da Santa Casa 1.127 pacientes, sendo que 711, o equivalente 63%, receberam alta. Outros 328, ou 29%, evoluíram a óbito. O percentual não fecha em 100% em razão dos pacientes que continuam internados. Em 2020, dos 470 internados, 344 (81%) tiveram alta. Esse número caiu bastante este ano: Dos 657 internados, 367 (55%) tiveram alta. CEPAS MAIS VIOLENTAS – O levantamento deixa claro que a doença está mais letal e contagiosa.

Para o diretor técnico do hospital, o cirurgião Jorge Pelisson, os números comprovam que na região circulam cepas “mais violentas” e de “propagação mais rápida” em relação as que circulavam em 2020. Para agravar a situação, na avaliação do médico, cansada, a população relaxou nos cuidados que continuam tão essenciais como no início da pandemia: uso de máscara, distanciamento social e higienização permanente das mãos com água e sabão ou com álcool 70º.

Outros, ainda que quisessem manter os cuidados como o distanciamento social, tiveram que voltar ao trabalho. “A economia não pode parar e muitos tiveram que voltar a usar o transporte coletivo e passar por outras aglomerações que contribuíram para a contaminação”, estima ele. Pelisson lembra, ainda, que houve um “esgotamento de recursos”, ou seja, muitas vezes um paciente tem que esperar um, dois ou até três dias, por exemplo, para conseguir uma vaga de UTI ou mesmo um leito de enfermaria na Santa Casa. “Às vezes, o paciente fica num hospital aqui da região a espera de uma vaga na Santa Casa que é o hospital de referência. Existe uma fila, uma demanda reprimida.

Este período de espera pode comprometer as condições de recuperação do paciente”, explica. Apesar da situação delicada, a Santa Casa não tem mais como aumentar leitos. “Estamos no limite. Não temos como ampliar a Ala Covid por falta de espaço e principalmente, por falta de recursos humanos. Não adiantar ter o equipamento e o leito se não temos o profissional, o médico, a enfermeira”, explica o diretor-geral administrativo do hospital, Héracles Alencar Arrais. VACINA – Mas a ampliação dos serviços médico hospitalares não é a solução para o país sair da crise sanitária. Até porque, como acentua a infectologista Gislaine Erédia Araújo, responsável técnica da Ala Covid da Santa Casa, a doença ainda não tem remédio. “O que a medicina pode fazer é dar suporte ventilatório. Usamos o corticoide na fase inflamatória e fazemos a profilaxia para evitar a formação de coágulos que podem evoluir para uma trombose”.

Ou seja, os médicos ajudam os pacientes a suportar a doença até que o corpo produza os anticorpos naturais para combater o vírus e atuam para evitar o agravamento e eventuais consequências, já que não há remédio. Por isso, diz a infectologista e o diretor técnico da Santa Casa, a única alternativa é a vacina. Prova disso, dizem eles, é que tem reduzido o número de mortes no extrato da população chamada de grupo de risco, justamente os que estão acima de 60 anos e com alguma comorbidade, que foram os primeiros a se vacinar.

A Santa Casa de Paranavaí é referência para os 28 municípios da jurisdição da 14ª Regional de Saúde. Mas o planejamento do Governo do Estado para o enfrentamento a pandemia, prevê uma rede macrorregional,venvolvendo também hospitais de Maringá, Cianorte, Umuarama e Campo Mourão. Por isso, a Santa Casa de Paranavaí já atendeu em sua ala Covid pacientes de mais de 60 municípios. “Não é hora de baixar a guarda. É preciso manter todos os cuidados. O momento exige que continuemos com os cuidados sanitários. Temos que torcer para não faltar vacinas permitindo inclusive a agilização do processo de imunização. Só assim vamos sair desta situação de crise sanitária”, diz Pelisson.

Colaboração: Jorge Roberto

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